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UM CABO DO EXÉRCITO CONTA AFETOS DA LUTA DO ARAGUAIA

  • Foto do escritor: peixotonelson
    peixotonelson
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Vi e ouvi um idoso falante, sentado numa cadeira de embalo. Aproximei-me e comecei a conversar com ele. No curso da conversa, fui percebendo que algo de "misterioso" estava para me contar. Estivera atuando como cabo do exército brasileiro na guerrilha do Araguaia, que fora um movimento existente na região amazônica brasileira, ao longo do rio com este nome, entre fins da década de 1960 até a primeira metade da década de 1970. Considerada, na historia história social, uma resistência armada, provocada pela Ditadura Militar. Eram fervorosos ativistas que não concordavam com a ditadura militar, que acabara com as lutas dos camponenses pela Reforma Agrária e eram contrários ao corte da floresta com a abertura da estrada Transamazônica.


Os chamados guerrilheiros eram idealistas e empreendedores sociais, quase todos filiados e motivados pelos ideais de transformação social, em vista de uma reviravolta no país que levasse o povo à adesão para a construção de uma nação livre e, não mais levada em frente por uma elite que justificava o combate exterminador de todo o sonho de um socialismo à brasileira, que tivesse o desenvolvimento humano, como hoje, a China dá um bom exemplo porque não descarta uma síntese com o capitalismo.


Meu velho ACO, não quis entrar em detalhes que, provavelmente, vão morrer com ele. Pois, não é bem esta a minha intenção, de polemizar, nem a de querer historizar as causas políticas da guerrilha e seus crimes, mas saber do sentimento, do medo ou da coragem de participar, em nome dos anticomunistas brasileiros, depois de 61 anos. Pois, era bem verdade que, para acontecer aqueles "anos de chumbo", havia unanimidade das Forças Armadas, um certo apoio dos cristãos apavorados e enganados pela grande mídia com o fantasma do Comunismo, considerado ateu e sem humanidade. Os ativistas eram, sobretudo, gente inteligente e estudiosa do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) que também lutava contra a repressão militar e o método das torturas para arrancar informações e ir à caça dos denunciados.

Contou para mim, mais aquela parte romântica: ter andado na floresta, ter encontrado onças e sabendo se esconder no alto das árvores, dias a fio, na chuva e no orvalho, por uma causa que nem compreendia, mas que tinha de obedecer. Bastava um movimento nas folhagens densas para atirar no rumo, com rajadas de balas. Disse um amigo que estava perto escutando, em tom de brincadeira: "a arte mais elogiosa dele era saber se esconder na floresta, rastejar nos igarapés e pegar jacaré para comer".


Meu amigo, para brincar comigo, ainda contou que fizera uma parceria com o "mapinguari" da floresta do Araguaia para nunca ser ameaçado pelas onças e cobras venenosas.

(Ao lado esquerdo esta a capa do livro citado)


Após esse humor na floresta, aproveito o olhar do amigo para transcrever uma citação do autor Clovis Moura, na última página do seu livro "DIÁRIO DA GUERRILHA DO ARAGUAIA", São Paulo, Editora Alfa-omega, 2ª Ediçao, 1979).


"É hora da decisão de acabar para sempre com o abandono em que vive o interior e de pôr fim aos incontáveis sofrimetos de milhões de brasileiros humilhados e explorados. A Revolução abrira o caminho para uma nova vida. Chegou o momento de levantar-se para varrer os inimigos da liberdade da idependência e do progresso do Brasil."

 
 
 

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